Ponto Eletrônico: O que, exatamente, faz um “futurist-in-residence”? Michael Rogers: Faço parte do Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento do New York Times Company, que é uma equipe de especialistas em tecnologia que trabalha com uma projeção futura de 18 meses a cinco anos e que tem como propósito assessorar vários setores estratégicos. Fazemos uma estimativa sobre as transformações que a tecnologia, a audiência e o mercado irão sofrer e construímos protótipos de dispositivos de mídia para demonstração aos vários setores de negócios. PE: O senhor começou na mídia impressa. E então, desde 1993, tem trabalhado com novas tecnologias. Este é um caminho que todos os jornais impressos terão que atravessar? MR: Acredito que, ultimamente, quase todas as publicações impressas têm a sua versão eletrônica. Algumas delas substituirão a versão impressa e outras co-existirão. Dentro de cinco a dez anos, computadores e outros dispositivos de leitura se tornarão excelentes substitutos para o papel. E nós temos uma nova audiência que tem crescido com a Internet e que pode não ter mais o hábito “café da manhã com jornal” de seus pais. Mas acredito que papel e aparelhos eletrônicos ainda co-existirão nos próximos anos. PE: A mídia impressa está em crise e a circulação de jornais diminuiu de acordo com o Relatório O Estado da Mídia 2007. O senhor é parte da estratégia de sobrevivência do New York Times neste cenário? MR: É importante levar em consideração que no mundo todo o jornal impresso ainda é um negócio muito lucrativo. Porém, a circulação (de jornais) está caindo nos Estados Unidos ao mesmo tempo em que o número de leitores da versão on line está crescendo. Se você levar em consideração os leitores da versão impressa e da on line, a circulação do NYT, na realidade, aumentou e não caiu. Nosso desafio, agora, é tentar descobrir como fazer, com a versão on line, tanto dinheiro quanto fazemos com a impressa. Os rendimentos do on line estão aumentando rapidamente, o que nos dá a certeza de estamos caminhando na direção certa. |